Terça-feira, Maio 30, 2006

Quadro para uma fotografia (ou Carta Para Um Novo Amigo)

Hoje
Teu nome tem o cheiro doce das lembranças,
Tem o gosto amargo do passado,
Tem a fluidez dos ventos de Barão.

Hoje,
Com as pontas de todos os meus dedos,
Escrevi,
Em meu corpo,
O eco da distância:
Solidão.

(A polidez só cabe em alguns gestos. Perdão.)

Poema de Beatriz Galvão em Por Um Triz


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Quarta-feira, Maio 24, 2006

O VESTIDO

A brisa balança o vestido azul no varal.
A moça olha e o rosto molha.

O vento seca o tecido florido
E os olhos azuis da moça.

A moça lembra o toque do ontem,
Mãos quentes em cada flor do vestido.

O toque da lembrança traz o som
Das palavras frias, indiferentes
Ao amor que o vestido vestia.

E indiferente às lágrimas da moça
O vento venta mais forte
Soltando o vestido florido do varal.

As flores azuis do tecido voam, voam
Misturando-se ao azul imenso do céu.

O vento leva o vestido, as flores
E os sonhos azuis da moça.


A moça olha o varal vazio
E, vazia,
Chora o amor e os sonhos
Que o vento,
Num repente,
Lhe roubou.

Poema de Isabella Benicio


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Sábado, Maio 20, 2006

monotonia

ah uma tarde de gavetas reviradas
camas desfeitas
roupas amassadas
sentimentos rotos espalhados
pelo chão

não uma tarde qualquer azul
e tola como essa
canções antigas na vitrola
alguma brisa
a casa imaculadamente organizada
e limpa
e esse travo de bolor e tédio
atravessado à garganta e ao coração

(se ao menos sobreviesse um
temporal...)

Poema de Márcia Maia em Tábua de Marés


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Terça-feira, Maio 09, 2006

_boa noite amor_

beijou-me
foi para o outro quarto
apagou do meu a lâmpada

fechou a porta
mas deixou o rastro claro
do verde-de-seus-olhos

pincéis chapiscando
com faíscas de sua luz
o muro-tela dos sonhos ainda não sonhados

esclareceu em mim
o que ainda
era breu

Poema de Diovvani Mendonça em poeminhas para matar o tempo e distrair dor de dente


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Sexta-feira, Maio 05, 2006

Drummond revisitado

Ah, este choro de Pixinguinha,
esta cerveja mofada de gelo,
me deixam comovido como o diabo.
E eu nem preciso olhar a lua.

Poema de Francisco Sobreira, em Luzes da Cidade


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